sábado, 9 de junho de 2012

Você me lia e eu sorria. E você pedia para que eu escrevesse sobre si, como se não soubesse que era a razão da minha falta de sono, dos títulos mentirosos dos meus contos-de-fada. Quando percebi, estava perdida, presa, sem razão. Você tirou meus pés do chão e me fez flutuar pela primeira vez. E cada vez que eu respirava era por você, pra amanhecer com a certeza de te ver naquele dia. Eu e meus 14 anos de imaturidade, de certezas incertas, de depressão sorridente. Como poderia dizer que a sua presença marcaria a minha existência?  Como poderia saber, que, hoje, em mim, ainda haveria rios de você?
 A primeira insanidade, a primeira dor. Ainda não sei em quantos pedaços você partiu o meu coração, não fui capaz de contar ou de catar minha fragilidade que jaz em um chão qualquer, de lugar nenhum. O seu adeus foi o mais difícil. O seu texto foi o mais sofrido.
 Como disse, não sei o que sinto ou o que senti, mas a maior dor é a da certeza de que sou o que você me fez, vivo a felicidade que você me deu e, apesar de tudo, não sou metade do que a tua presença representa. E, por tudo o que não nomeio, mas sinto, eu ainda tenho que aprender a desistir de você.

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